PCMFA

50 anos do 25 de Abril de 1974

Quartel da Pontinha

25 de abril, 2024

Programa

Espaço Livre © Patrícia Timóteo

Patrícia Timóteo © 2024

Ode

em eternos momentos cantados

ao longo de séculos armados

a espuma do mar encantada galopa céus

com feitos heróicos

e sonhos errantes

Portucale, terra mãe por tradição ligada ao chão

ao mundo

cultura e visão celebrada

guiada por navegantes no coração dos oceanos

no olhar das estrelas e mapas inscritos nos sextantes

busca de um novo mundo

por homens e reinados cheios de planos

séculos volvidos

lamentando a pátria

o povo cansado de resignação

a tensão nos olhos cabisbaixos e ausentes

o medo nos diários do governo

evoca a saudade de liberdade no coração

servidão torcida

por comandos e regras dos senhores do destino das suas vidas

farpas dos homens proscritos

estantes

caligrafias presas por muros adormecidos nas cidades

intimidades dos vencidos

o silêncio na prisão das palavras

cartas de amor aos encarcerados

memórias entrelaçadas nos corpos controlados

1974

passos de revolução

caminhos calcados em campos de sementes, cereais e forquilhas

unidos, movimentos vencem pandilhas

com dedos promissores de vitórias

e erguem pulsos

causas, esperança e pão

no encalço de uma evolução das liberdades

movidas pelo sonho ardente

a casa aberta ao povo vislumbra as igualdades

sons libertando censura: palavras de abril

primeira expressão da aventura

adrenalina na comunidade militar dos quartéis

ordens em rede esperada ao telefone

capitães de abril

com armas de paz e fardas de primavera

agrupamentos nas ruas enfeitadas de corações

berço de manifestações da esperança nos novos ideais

sem sangue, sem violência ou divisões

portas de saída que soltam os espíritos livres das prisões

para fazer a hora acontecer

vindimar o sonho

movimentar as linhas do tempo

ampliar a liberdade

multiplicar pétalas e beijos

e no tempo acelerado do presente

nas novas prisões que boicotam a verdade

questionamos a experiência

indagamos a responsabilidade ausente

de décadas de sonhos por cumprir

em que geografia fomos parar?

onde andará o céu da liberdade, a força unida

onde andarão os cravos desbotados da sua cor

a cura do povo pacífico de brandos costumes

a nova identidade feita de testemunhos de dor

a intenção de curar retalhos marginais, tanto trabalho e exploração!

onde andará a musa que inspirou a luta para actualizar o passado altivo

e os arrepios na pele e a sonoridade da alegria em canção?

Sofia Moraes, Abril 2024

Espaço Livre © Patrícia Timóteo

Patrícia Timóteo © 2024

Espaço Livre

Este projeto comemorativo no Posto de Comando do MFA, onde os planos do golpe de estado foram redigidos há 50 anos, pretende homenagear todos os intervenientes na revolução de 1974.

Este trabalho multidisciplinar apresenta uma visão contemporânea do 25 de Abril num lugar ligado de forma significativa ao movimento que deu início a este momento histórico, unindo o tempo passado e presente, a realidade e o imaginário, o concreto e o simbólico, o espaço e a população, o aspecto criativo do golpe militar e da interpretação do público presente.

Utilizando materiais com formas densas e subtis, que se cruzam entre si no sentido de possibilitar o fluxo contínuo do movimento dos corpos, sons, silêncios e reflexos, surgem assim novas formas, imagens que se expandem e desdobram em camadas.

A matéria e o etéreo fundidos transformam-se sucessivamente em novos elementos, revelam temas ligados ao conceito de liberdade, e eclodem com força em cores vibrantes e sons subtis.

Tendo como base um percurso ao longo das salas existentes e espaços exteriores, os visitantes são conduzidos a uma viagem interpretativa numa linguagem artística diversificada com áreas de expressão como música erudita contemporânea tocada ao piano, e som de voz gravada, instalações, projecção de imagem e luz conduzida ao longo do caminho, espelhos circulares orientados para a geografia do espaço e vídeo em streaming e em tempo real.

Geometrias e texturas distintas surgem do interior para o exterior. Os espelhos cruzados guiam fronteiras circulares e projetam faíscas que expandem o reflexo humano, revelando ao público um novo espaço interno.

As luzes desdobram elementos e formam figuras e quadrados, conectam o vazio, cores unem passado e presente, relacionam-se com o espaço do barracão onde existe o museu com as suas peças, tais como telefones, livros, rádio ou instrumentos de comunicação encriptada.

Estão presentes os cobertores intactos que foram usados na época para cobrir as janelas e esconder a luz do interior.

No exterior, acrílicos e sombras fundem-se verticalmente com um cantarolar, corpos, paredes, vozes gravadas, as quais saem de um tanque. Painéis e corpos vermelhos cruzam o espaço e o movimento na natureza.

Numa época socialmente instável, este projeto deixa a reflexão sobre que modelos de liberdade poderemos criar face às transformações do mundo atual. Como existir nas sociedades modernas, nas novas formas de pensar, trabalhar. Como podemos limar arestas, destacar o essencial da revolução que permita a existência de espaço para um pensamento individual e colectivo criativo, crítico e construtivo. Como usar os laços fraternos que nos caracterizam a partir de uma visão renovada da alma de Portugal.

Juntamo-nos para imaginar e construir o futuro a partir do debate e atualizar a revolução.

As apresentações decorrem em 2 momentos diferentes: durante o dia a peça terá início no auditório, e à noite terá início no exterior.

Antes do público sair para o exterior, pelas 15h poderá assistir à História oral com o Coronel Sanches Osório, único sobrevivente do planeamento do golpe, e às 15h45 uma declamação de poesia por Maria Maya.

O percurso diurno será feito de forma circular, voltando a entrar no edifício pelas portas do outro lado, onde o pianista estará a tocar.

Espaço Livre © Patrícia Timóteo

Patrícia Timóteo © 2024

Programa de piano

por José Bon de Sousa

Maria Maya

Maria Maya, neta do escultor Delfim Maya (1886-1978) é licenciada em Filosofia e mestre em História de Arte, com a Dissertação «O modernismo de Delfim Maya». Investigadora sobre Delfim Maya e sobre escultura, coordenou os livros «Delfim Maya» e «Escultura e Desporto em Portugal», ambos editados pela Inapa, em 1998 e 2005. Publicou ainda «A gaivota do mar», livro de contos para crianças na ASA Juvenil, «A autoridade do Professor», Dissertação de Mestrado em Educação, na Texto Editora, e dois livros de poesia, «Do barro à luz» e «Chamas». Foi Presidente da 8 Séculos de Língua Portuguesa-Associação, na qual esteve à frente das comemorações, em 2014/2015. É declamadora e animadora de tertúlias poéticas.

Espaço Livre © Patrícia Timóteo

Patrícia Timóteo © 2024

Performance Espaço Livre

conceito, projecção de luz, acrílicos, instalação

Patrícia Timóteo

Patricia Timoteo, nasceu no Funchal 1974. Estudou artes plásticas na Maumaus, e no Ar.co em Lisboa. Licenciou-se em medicina na Faculdade de Coimbra e estudou psicanálise na AP com o Professor Coimbra de Matos e o Professor Carlos Amaral Dias. Participou em colaborações com vários artistas, como Ana Borralho e João Galante (sexy MF, Culturgest/ Lisboa), Loic Touzé(a volta de uma mesa, para um imaginário de um gesto, Teatro Maria Matos), Alessandra Bosseti(Acqua Sfocata, Museu de Serralves). Actualmente desenvolve o seu projeto artístico Ausente Presente, que é uma instalação de artes visuais e performativas, site specific multidisciplinar em que utiliza o som, a imagem, o corpo performativo e a instalação das obras no espaço arquitectónico, na paisagem urbana e rural. O seu processo de trabalho visa ligar a dança ao desenho. Para tal, utiliza uma metodologia experimental que se centra na espontaneidade de um gesto ou no seu oposto: o gesto contido e ponderado, evidenciando o carácter ensaístico do seu trabalho. Sempre em interação com o ambiente, arquitetónico ou paisagístico, no seio do qual um movimento se repete, a experiência do corpo é central e conjuga-se com a imagem projectada, fotografada e manipulada, muitas vezes em combinação com feixes de luz. Ao fazê-lo, Timóteo cria novas imagens que recria repetidamente e coloca em diferentes e novos contextos, criando novos espaços mentais e emocionais. O seu trabalho interessa-se pela interação dos corpos nas relações humanas, corpos em repouso no espaço e o seu movimento e em diferentes dimensões humanas, permitindo ao artista e ao público reconhecer momentos inter-relacionais que geram transformação e activam novas experiências e novos conhecimentos.

cocriação, espelhos em movimento, escultura

Katie Lagast

Katie Lagast (n. 1967, Bélgica) é uma artista belga que vive e trabalha em Lisboa. Estudou cerâmica na Luca School of Arts em Gent e artes gráficas no St-Maria Institute em Antuérpia. Fez pós-graduações em escultura na academia de Belas Artes de Berchem e vídeo na Academia de Belas Artes de Antuérpia. Em Lisboa frequentou o projecto individual no Ar.Co durante dois anos. Tem a sua obra apresentada em várias galerias e espaços artísticos na Bélgica, Portugal,Holanda, Alemanha, França e Brasil. Recebeu subsídios do Governo Flamengo e, para o seu projecto individual no Ar.Co, obteve a bolsa "Vitória, Graça, Luz e Salvador Reis". Além disso, foi convidada para algumas residências artísticas na Bélgica, Portugal, Holanda e Alemanha. O ambiente em que ela se move constitui a base da sua pesquisa sobre a identidade desse lugar. A sua intenção é preservar pedaços de tempo e espaço que outros negligenciariam. Muitas vezes tudo está à vista, no chão: beatas de cigarro, fendas, ervas, o passeio, uma calçada à portuguesa ou o sol que incide nela ao final da tarde. Ela procura isolar estes elementos da sua realidade quotidiana e colocá-los num novo contexto, o artístico. São transformados em objetos de beleza e contemplação com os quais se evoca um mundo próprio que desafia o espectador a não ter nada como garantido. Isto se traduz em trabalhos gráficos, esculturas e instalações. O material de trabalho é escolhido mais em função do resultado final pretendido do que da base a partir da qual a obra é criada. É apenas após de uma pesquisa exaustiva dos materiais e técnicas de reprodução corretos que ela compartilha os seus resultados com o público.

cocriação, vídeo streaming

Sérgio Gomes

Sérgio Gomes tem trabalhado na área do vídeo e fotografia desde meados dos anos 90, quando tirou um curso de Cinevídeo e Multimedia na Produtora Real Ficção. É presidente e fundador da Associação Videolab desde 2004 e aqui tem executado funções de coordenação, curadoria e produção de eventos. Os ventos da Associação pautam pela transdiciplinaridade cruzando, vídeo com fotografia, dança, performance, instalação, música e outras áreas artísticas. No âmbito da associação é curador dos festivais Fonlad (festival de videoarte) e iFive (Festival de vídeo escolar). Desde os anos 90 que dá formação nas áreas do vídeo e fotografia. É colaborador do mágico Luís de Matos desde 2007 até aos dias de hoje, trabalhando como operador de câmara e editor, nomeadamente em diversos programas para televisão. Como artista realiza trabalhos na área da ficção, documentário, videoarte e instalações.

cocriação, piano

José Bon de Sousa

Nasceu em Lisboa, onde estudou com Artur Santos. Em 1981, partiu para Viena de Áustria como bolseiro e aí trabalhou, ao longo de quatro anos, com Leonid Brumberg. Trabalhou com pianistas como Helena Sá e Costa e Tatyana Nicolaieva, Jorg Demus, Palanicek e Sequeira e Costa, entre outros. Ao longo da sua carreira de pianista, apresenta-se em recitais a solo, concertos com orquestra e em música de câmara. Participou em Festivais e foi júri de concursos internacionais. Efectuou tournées por todo o mundo, desde a Europa, Estados Unidos da América, Canadá até à China e Índia. Gravou um CD de obras para piano de Francisco Lacerda - Treinte-six histoires pour amuser les enfantes d'un artiste”. Em parceria com o flautista João Pereira Coutinho, gravou os CDs “Encontro”, com obras do séc. XX, e “Recital Para El-Rei D. Fernando”, com obras apresentadas, em Lisboa no séc. XIX . Em 2015 gravou com Ana Paula Russo “Homenagem a Artur Santos” com “Harmonizações de Canções Populares Portuguesas” e Sonata para piano solo. Actualmente é professor na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa.

cocriação, texto

Sofia Moraes

cocriação, acrílicos

Edgar Silva

Design de Comunicação

graficosdofuturo.com

Anaísa Ferreira

Anaísa Ferreira é uma jovem de 20 anos com uma voz inconfundível. Apesar de ser aluna do Instituto de Educação da Universidade de Lis-boa, onde se encontra a frequentar o curso de Ciências de Educação, a música sempre foi a sua paixão! Alem de ser bastante jovem conta já com um curriculum invejável quer de participações em concursos televisivos, quer em concertos para as mais altas patentes do nosso país como o presidente da república, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, e para o secretário-geral da ONU, António Guterres, inserido no contexto enquanto aluna da Escola Artística de Música do Conservatório Nacional, e para a Camara municipal de Lou-res, onde foi solista num evento relacionado com os anos 80. Com apenas 6 anos de idade ingressou num grupo de jovens que percorreram o país em concertos. Sendo nessa altura que o "bichinho" pela música se manifestou e foi-se mantendo até 2018, ano em que ingressou no Conservatório Nacional, onde terminou o 8° grau no curso de Canto Lírico com nota de excelência. Atualmente faz participações especiais em festas e eventos como casa-mentos, batizados, festas de empresa, restaurantes e bares sempre ao vivo e dando uma nova vida as músicas que canta colocando em todas elas uma interpretação e um estilo próprio e único. Apreciadora de um vasto leque de estilos musicais, consegue interpretar os mais variados temas de acordo com o público-alvo, tanto a podemos ouvir a cantar Dulce Pontes, passando por Marisa Lis, Áurea, Carolina Deslandes, Adele e Sam Smith, como a podemos ver e ouvir a interpretar músicas da Disney. Os espetáculos têm uma duração que varia entre os 30 e os 45 minu-tos, sempre cantados ao vivo. Tem como lema de vida "Não é a força ou a sorte, mas o empenho e a persistência que determinam o meu sucesso!"